Tags

,

Uma pessoa a frente do seu tempo e sem papas na língua. Talvez esta frase defina o grandioso, e muitas vezes mal interpretado, Sebastião Rodrigues Maia, ou para todo o Brasil, somente Tim Maia. Uma verdadeira avalanche de ideias, músicas e sentimentos, que conquistou e irritou o Brasil tantas e tantas vezes.

Tim Maia tinha um dom que poucos artistas da MPB têm: vociferava sua paixão pela música nos palcos, e era extremamente perfeccionista na concepção de sua banda, com arranjos de tirar o fôlego. Não se intimidava diante de qualquer plateia, e ao mesmo tempo em que cantava, dava o tom da banda com suas exigências: “mais grave, mais agudo, tá sem o retorno, ô do som”…

Fiel a suas convicções, Tim Maia mergulhava de cabeça em tudo o que acreditava. Foi assim em amores, composições, amizades, negócios, e religião. Não existia meio termo para ele. Ou ele gostava e fazia de tudo pra viver suas experiências do modo mais intenso possível, ou ele não gostava e não fazia questão nenhuma de esconder o que pensava.

Para se ter uma noção desse lado “8 ou 80” de Tim, ele se converteu a uma seita chamada Universo em Desencanto, onde se desfez de tudo dentro de casa, e só se vestia de branco. Até dois LPs, intitulados Mundo Racional, ele gravou nesta nova fase de sua vida. Ao descobrir que tudo não passava de pilantragem, Tim chutou o pau da barraca e não se tocou mais no assunto.

De família humilde, Tim Maia nadou contra uma maré de obstáculos sociais para mostrar a que tinha vindo, afinal, ser um brasileiro de classe média, negro, e que entregava as quentinhas que sua mãe fazia em sua modesta pensão, não daria o título de Síndico a ninguém. Porém a vida sorriu pro “preto, gordo e cafajeste”, como se intitulou uma vez a Nelson Motta, quando o mesmo disse que sua filha tinha ganhado um gato e colocara o seu nome nele.

Entre brigas dentro de gravadoras com direito a quebrar a sala do presidente na Cia de Rita Lee, e o lançamento de seu próprio selo, o Vitória Régia, Tim Maia levava os brasileiros ao ódio e ao delírio: ódio quando faltava seus shows, situação quase sempre frequente, devido ao seu estado pelo uso de bebidas e álcool, e delírio, pelo seu grande amor à música, e canções que estão para sempre na vida de milhares de brasileiros.

No dia 8 de março de 1998, Tim Maia tentou começar a fazer o que seria seu último show, no Teatro de Niterói. Pela primeira vez, não fumou nem ofereceu um “baurete” pra ninguém. Só bebeu água. Parece que pressentia o que estava por vir. Tim entrou no palco, a banda começou a tocar “Não quero dinheiro”, ele começou a cantar: “Vou pedir… vou pedir…” e não conseguiu. Passando mal, saiu do palco e a plateia começou a vaiar. Dois médicos da plateia foram ao camarim tentar socorrer, e Tim havia sofrido uma crise de hipertensão, uma embolia pulmonar e uma parada cardiorrespiratória revertida com massagens e medicamentos na ambulância do Corpo de Bombeiros. Internado desde então, o coração de Tim Maia parou de bater num domingo, dia 15 de março de 1998, às 13:03.

O síndico, apelido dado a ele por Jorge Ben Jor, não mais daria as ordens por aqui…

O Livraria Musical indica esta preciosidade de Nelson Motta, amigo, e muitas vezes, testemunha ocular da vida e da obra do gordinho mais simpático da Tijuca.

Chama o síndico!

 

 

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS:

  • Editora: Objetiva
  • Autor: NELSON MOTTA
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2007
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 392
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio
  • Código de Barras: 9788573028744
Anúncios